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O que sustenta uma criança: entre o desejo do adulto e o espaço público

  • Foto do escritor: Gabriela Muriano
    Gabriela Muriano
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Os papéis dentro de uma família podem mudar — quem cuida, quem educa, quem sustenta — tudo isso pode ser exercido por pessoas diferentes. O que realmente não pode ser substituído é o olhar de um adulto que assume responsabilidade pela criança: alguém que queira que ela exista, cresça bem e seja feliz, mas também que saiba colocar limites.

É esse desejo responsável do adulto que dá à criança um lugar no mundo e ensina até onde ela pode ir. Isso é fundamental para que as famílias consigam transmitir valores e referências éticas para as novas gerações.

Mas só a família não consegue fazer isso sozinha. Se a sociedade e o espaço público não assumirem também suas responsabilidades — especialmente no Brasil — não dá para esperar que apenas as famílias resolvam a crise de valores que estamos vivendo.

A situação fica ainda mais difícil nas famílias pobres, que muitas vezes não têm apoio de políticas públicas nem acesso pleno à cidadania. Nessas condições, quando a realidade não corresponde ao ideal de “família perfeita”, os pais podem se sentir desvalorizados ou fracassados, o que dificulta educar os filhos e pode acabar contribuindo justamente para problemas sociais como violência e criminalidade.

Por outro lado, melhorar a vida pública não depende de um único líder forte que resolva tudo sozinho, como se fosse um “pai protetor” da sociedade. Em uma democracia, o espaço público só funciona de verdade quando é construído coletivamente, por meio do acordo e da participação entre os cidadãos — que, numa comparação com a família, se relacionariam mais como irmãos do que como filhos obedecendo a um pai. Referencia: "Em defesa da família tentacular" - Maria Rita Kehl.


 
 
 

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